16.12.07

V


saltitou com duas pernas de carne e abismos com a luz de velas avermelhadas do pôr-do-sol escondido no armário de uma infância. não caminhava, nem vagueava, apenas não conseguia seguir com certeza o que um dia considerou ser a sua velhice, o seu apagar das tempestades caóticas e dignas de veneração a que assistiu passivamente e com escárnio na sua cadeira de indiferença. agora sim, lambia as pontas soltas do seu novelo de tardes passadas a contar anéis formados nas águas de amoníaco onde cuspiu pedras ou impulsos e trilhos de coágulos, ao longe o horizonte que, escurecido e de onde aves migratórias fugiam, ofuscava o seu olhar, que na verdade nem olhar seria, pois as suas pálpebras estavam unidas e não mais se separariam. assim parou e esperou, num coma expectante.