30.11.07

IV


não me sentei, envolto em sôfrega geada e rochedos cobertos de crostas de musgo, para ver o sol nascer. vim para observar a metamorfose matizada no céu, captar, por elaborados mecanismos de paixão e humilde entrega, estas composições espectrais na minha mente, esboçar um itinerário, uma espécie de catecismo para, um dia, repercurti-lo em cada grão de poeira, prole terminal dos meus ossos ... porquê ? não me será permitido libertar o eco do meu nada, espalhando-se impetuosamente pelas encostas das montanhas com que um dia eu sonhei ? um eco da cor do crepúsculo, a simbolizar a relação estreita entre o nascimento e a morte, por entre fragmentos de granito e arbustos silvestres, osso e pele das montanhas ... a estação terminal.

será até belo, num solitário ocaso outonal, observar as minhas ruínas côr-de-crepúsculo.