22.11.07

III


cravas a tua presença na minha pele labiríntica, mas eu perco-me em mim, não sei onde sou, não vou onde estou ... as rajadas de vento, vindas de um ponto cardeal para mim indiferente, assistem ao rodopio da cinza dos meus desejos. um penhasco tatuado no meu peito, sinto o sufoco de uma tarde enclausurado em sonhos com sabor de urtigas na minha garganta. tentas agarrar-me a mão mas eu já estou em queda livre, o vento arrasta-me, o meu corpo, onde vou beijar a poeira do meu trilho, mas não deixo pegadas atrás de mim, apenas arrependimentos e febres de noites à varanda com o olhar estendido a insultar a serenidade das estrelas. cada lágrima tua se condensa em flores de pétalas descoradas que, quando as tento provar, se escapam por entre os meus lábios como o orvalho matinal por entre os meus túmulos de memórias. uma noite vou acordar ao teu lado.