
A montanha mágica ergue-se
Na minha infância.
Percorri o trilho feito de terra e sonhos,
Virgem e ladeado de fetos
Com o olhar preso num horizonte invisível.
O tempo tornou-se uma abstracção
(Como sempre o foi!)
O passado tornou-se presente,
O futuro escapa-se pelos meus dedos
Como areia primordial
Numa ampulheta dourada e eterna
Gaiola onde todos esvoaçamos
Caoticamente.
Neste trilho de terra e sonhos,
Espiral sem fundo
Onde meus olhos
Se tornam um espelho
do exterior para o interior
Trago a Montanha Mágica
Dentro de mim
Tatuada na matéria visceral
E nos sonhos de fogo e terra.
