21.9.07

I


o som dos sinos, os passos do compasso que percorre a terra devastada por poeira e horizontes negros marcados por dúvidas e persistentes coagulações transportas por criaturas crentes nos ofícios de deus.trovões mancham o céu lilás, ácidos flash's de pirilampos monstruosos fornicam as labaredas da juventude que percorre sem tréguas a superfície da loucura encontrada no fundo de um copo de absinto.trinco a língua, o prazer estremece com os muros que cercam o meu espírito, poluído...o som metálico do sino que embate, como dois meteoritos perdidos num apocalipse muito pessoal, provocando longas fendas, fundas, de infinitas trevas assolam a sua textura ...engulo a parafina gelatinosa dum candelabro macabro, afasto o fantasma que te percorre o corpo após as duas baladas crespusculares....não te agarres à falsa estabilidade que te oferecem esses seres híbridos com um farol de luz opaca cravado orgulhosamente entre as suas guelras pútridas e salientes...

Pintura de Pedro Esteves © pedroesteves.deviantart.com